#influencia: Elson da Herod

Howlin' Records

Template

#influencia: Elson da Herod

Herod é uma banda de post-rock instrumental formada em 2006. Nesses quase dez anos de estrada, a banda já acumulou diversas histórias – dentre as mais inusitadas, destacam-se o concurso “Arnold Layne” organizado pelo Myspace e David Gilmour, ficando em oitavo lugar mundial; a mini-turnê pelo Canadá em 2009; a abertura dos shows do The Cure em 2013, escolhidos pelo próprio Robert Smith; e o lançamento do EP “Disruption” em 2015 via Sinewave Label, EP que foi inteiramente gravado, mixado, masterizado e lançado com uma capa produzida à mão e um vídeo filmado, editado e publicado – tudo em um único dia.

Conversamos com seu baixista, Elson, sobre quem o influenciou nas 4 cordas. Segue:

Playlist do Elson: https://soundsgood.co/playlist/10-baixos
Sons da Herod: http://herodlayne.bandcamp.com/

Sem ordem de preferência, meus baixos favoritos:

New Model Army – White Coats
New Model Army sempre foi uma das minhas bandas favoritas, até hoje – o disco mais recente, Between Dog And Wolf (e seu irmão Between Wine And Blood) é um grande disco. Sempre tiveram grandes baixistas, especialmente os dois primeiros – Stuart Morrow, que gravou o Vengeance (1984) e o fabuloso No Rest For The Wicked (1986), e o Jason Harris, que entrou no The Ghost of Cain (1986) e gravou essa pérola “White Coats”, lançada em single em 1987. Maior baixo do mundo na minha listinha.

New Order – Ceremony
Peter Hook, O Homem. O cara que tocava baixo como se fosse uma guitarra, que bolava melodias espetaculares, e tocava com o baixo lá no joelho só pela mise-en-scène. Não sei qual música eu destacaria, então fui de “Ceremony” – uma das minhas favoritas do New Order, especialmente pela linha de baixo (mas confesso que fiquei tentado a pegar “The Perfect Kiss”, que eu tinha o maior orgulho de tocar no baixo, e “All Day Long”, que tem meu solinho favorito).

Mogwai – Batcat
Minha banda favorita, maior referência da Herod. Gosto muito dos baixos do Dominic Aitchison, melodioso nas calmarias, destruidor nas destruições. Fiquei tentado a pegar “Tracy”, uma balada obscura e subestimada lá no meio do Young Team com uma linha de baixo singela e matadora, ou mesmo a “Like Herod”, tensa até o limite, mas fui de “Batcat” mesmo. Destruição etc.

OM – At Giza
Al Cisneros, mestre dos graves tântricos. Quase peguei a “State of Non-Return” do disco mais recente, Advaitic Songs (2012), mas fui de “At Giza”, do Conference of the Birds (2006) – um mantra lisérgico só de baixo e bateria, quase uma jam imaginária entre Syd Barrett e a cozinha do Sabbath, com uma letra sobre peregrinações místicas iluminadas por dois sóis, e o bicho pegando lá pelos treze minutos.

Shellac – Canaveral
Gosto muito desse baixo “na cara” do Bob Weston. Vale uma historinha: em 2010 tive o privilégio de visitar o Electrical Audio, estúdio do Steve Albini (visita essa que rendeu uma entrevista muito legal que fiz com ele). Um certo dia Bob Weston chegou no estúdio com um instrumento novo que ele acabara de receber: um baixo de oito cordas, com uma estrutura semelhante a um violão de doze cordas: quatro pares de cordas gêmeas e bem próximas, com uma diferença de uma oitava cada. O som ficava ainda mais áspero e forte que um baixo normal. Achei aquilo genial.

Sonic Youth – 100%
Sou fã confesso de “baixos burros”, aqueles que só marcam o andamento em colcheias com poucas variações de notas. Tem um lance na simplicidade certeira desses baixos que sempre me atraem. As duas Kims (Gordon do Sonic Youth e Deal dos Pixies/Breeders) são mestras nisso. Difícil escolher só uma, então fui de “100%”, uma das primeiras músicas que aprendi no baixo.

The Beatles – Tomorrow Never Knows
Paul McCartney, talvez o maior dos maiores. Nem vou estender muito. Só de provocação, peguei a “Tomorrow Never Knows” e seu baixo místico-minimalista – para alcançar a experiência de transe espiritual, McCartney toca uma única nota a música inteira.

ZU – Soulympics
Esses italianos são especialistas em polirritmia e andamentos bizarros, e Massimo Pupillo é mestre em baixo torto e caótico. “Soulympics” ainda tem os vocais do Mike Patton, só pra completar a destruição.

Sunn O))) – Aghartha
Essa não vai pela execução incrível ou destreza técnica – pelo contrário, Greg Anderson toca umas três notas por música. Mas vai pelos GRAVES. Tive o privilégio de ver esses caras ao vivo em 2015, e a experiência física de sentir esses graves no corpo (você não só “ouve”, você “sente”) é algo difícil de explicar. Basta dizer que nos momentos de maior dissonância entre o baixo e guitarra, as ondas sonoras eram tão intensas que mal dava pra respirar.

Massive Attack – Inertia Creeps
Posso sabotar a lista com um baixo eletrônico? Mezzanine (1998) é meu disco favorito de eletrônico, justamente pelos graves – ouvir isso alto quase estoura minhas caixas de som.”