#influencia: Vina

Howlin' Records

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#influencia: Vina

Voltamos com a famigerada ‪#‎influencia‬ e temos orgulho de apresentar o Vina do Huey e Sounds Like Us. Ah sim, ouça o Huey aqui nesse link maneirão: https://hueyband.bandcamp.com/

” A gente passa por diversas fases na vida, e na música não tem como ser diferente. Pra mim, graças aos meus pais, essa viagem começou muito cedo. Mal me equilibrava com o fone nos ouvidos e, segundo eles, ficava horas ouvindo música. Mesmo a vida se dividindo em ciclos, acho que na música as fases não ficam para trás. Elas vão modelando o caminho que você percorreu e a direção que quer seguir.
A guitarra é um desdobramento disso e extensão das minhas emoções. As pessoas que me inspiraram nesse território nunca foram as eruditas. Minha primeira guitarra foi uma Gianini Jaguar. Isso em 91 ou 92, quando tive minha primeira banda. Chamava Deformity… hahaha. Depois disso outras bandas vieram.
Talvez eu não tenha algo 100% de um ou outro guitarrista. Acho que é tudo uma mistura de quem nunca se prendeu muito em só estilo. Eu ouvia the Cure e Terveet Kadet, Slayer e Icon. Tava tudo no mesmo pacote. Com o tempo você se reconhece mais em um ou outro estilo de som, mas como guitarrista eu aprendi desde cedo com o Billy Gibbons a tocar a música que eu gostaria de ouvir. Talvez essa seja a mensagem que esses caras que me influenciaram sempre me passaram e que carrego hoje quando componho para o Huey. Vamos aos influenciadores…

James Hetfield – Metallica
Ouvi o Ride the Lightning na casa de um amigo dos meus pais que era do metal, ou como falávamos, gostava de rock pesado. Era por volta de 87 ou 88 e o cara tinha uma coleção com discos do Saxon, Riot, Slade, Motörhead e lá no meio tava o Ride the Lightning. Aquilo virou minha cabeça do avesso, cara. Depois disso meus pais compram o vinil pra mim. Tá lá em casa até hoje, com o selo do Mappin… hahaha. Foi o disco que embalou meus primeiros air guitar e o Hetfield é até hoje um dos melhores guitarristas e compositores, na minha opinião. Uma curiosidade é que nessa época um amigo roubou umas madeiras e mandou cortar no formato de uma SG. Eram madeiras maciças de uma construção que tinha perto de casa. Colocamos quatro cordas e a “guitarra” ficou pra mim. Era gigante, ficou horrível e pesada pra porra e claro que não saía som, só o barulho das cordas vibrando mesmo. Mas para um moleque aquilo foi como conquistar o mundo. E essa foi minha primeira guitarra e esse é até hoje o meu mundo… hahahaha.

https://www.youtube.com/watch?v=YT516h7QwA4

Jeff Hanneman – Slayer
Todo mundo fala muito do Kerry King, que é sim um grande guitarrista, mas os meus discos e músicas preferidos têm, em grande parte, a mente criativa desse cara. Hanneman era O cara do Slayer. Ele tinha um jeito mais orgânico e violento de tocar e isso sempre me atraiu. Era o cara que levou o punk/hardcore como influência para a banda. Eu sinto por saber que não haverá mais nada de novo feito por esse cara, mas ao mesmo tempo é confortável ter acompanhado a carreira dele na banda desde o início. Hanneman é eterno.

https://www.youtube.com/watch?v=hFdwS9hy9Cg

Billy Duffy – The Cult
Fim dos anos 80, disco Love, música “Rain”. A partir daí esse cara passou a ser uma grande influência no meu jeito de tentar sempre jogar detalhes de melodias nas músicas. Isso vem muito do gótico, só que nesse caso, era um lance feito guitarra. O Cult é uma banda que sempre passeia por vários estilos como o gótico 80 dos primeiros discos, o rockão de Electric e hard rock arena em Sonic Temple e Ceremony, mas o mais legal é que a marca Billy Duffy tá sempre lá. Riqueza de melodia e bom gosto. Se eu uso uma guitarra semi acústica a maior parte da culpa e dele… hahahaha.

https://www.youtube.com/watch?v=RD5b_0QB0wI

Lee Ranaldo – Sonic Youth
Aí a gente entra nos anos 90 e nessa fase eu comecei a ir atrás de coisas novas dentro da música. O Sonic Youth foi uma das primeiras coisas que me prenderam a atenção e eu sempre gostei muito das músicas cantadas pelo Lee Ranaldo. Ele tem uma relação íntima com o barulho como uma estrutura celular que compõe o universo dele. Sempre tive a impressão de que se você pedir pra ele fazer o mesmo barulho por dez vezes, ele faria. Minha identificação com ele é mais no sentido de ter aprendido a deixar a música falar por si só usando sua mente e corpo como condutor disso tudo. É um cara que eu admiro muito.

https://www.youtube.com/watch?v=dIO2CVbK5nQ

Andreas Kisser – Sepultura
Quando o Andreas entrou e eles lançaram o Schizophrenia, o Sepultura passou a ser uma banda grande. Aí vem o Beneath the Remains e lembro que tinha fila pra comprar esse disco no lançamento. O Schizophrenia ainda tinha muita coisa composta pelo Jairo, mas no Beneath the Remains os caras surpreenderam demais e assim seguiram disco a disco. O Andreas é até hoje uma das minhas maiores influências. Tanto em querer tocar rápido como usar melodias e explorar aqueles ruídos mais industriais que ele costuma usar. Desde o comprimento da correia, postura da guitarra, o jeito de bater nas cordas e soltar o braço… Tudo eu observava. É um cara que ama música e está sempre tocando ou fazendo algo relacionado a ela. Mestre!

https://www.youtube.com/watch?v=wGpEcwx55Wc

Bill Steer – Napalm Death/Carcass
O barulho é só barulho pra quem não sabe fazer. Eis aqui o professor. Desde que eu comprei meu LP do Scum na Devil, o Napalm Death é talvez a minha banda preferida. O Scum era um desafio, o F.E.T.O uma constatação e o Mentally Murdered a coroação, e em todos eles a guitarra do Bill Steer é cortante, rápida e uma novidade pra quem estava ouvindo aquilo pela primeira vez. Ele ainda teve o Carcass e depois montou o Firebird, que é uma outra proposta e mostra um lado rockão 70. Uma coisa que eu sempre achei que o Napalm “perdeu” com saída do Bill foi o entendimento que ele tinha com o Mick Harris. O início de “Rise Above”, por exemplo. Os atrasos no tempo que acompanham a bateria, ou vice-versa, são geniais porque aquilo só pode ser tocado por eles. É um guitarrista que conseguiu ter muita identidade no jeito de explorar sua música e essa é a minha busca. Acho que você só faz a diferença quando se reconhece na música que compõe. Pra mim esse também é mestre eterno.

https://www.youtube.com/watch?v=Y_AriTfdAh0

Gregor Mackintosh – Paradise Lost
Lembro de uma resenha que dizia que o Paradise Lost era uma mistura de Black Sabbath e Sisters of Mercy. Claro que não podemos levar isso ao pé da letra, mas foi o que me chamou atenção. Era o início da década de 90 e quando escutei o Gothic, eu chapei, e até hoje é uma grande influência. O lance de usar temas e variações enquanto a outra guitarra segura na base sempre me encantou e o Gregor Mackintosh sabe usar bem isso. Talvez ele seja a melhor representação da variável peso e melodia que é onde o meu jeito de criar se encaixa melhor. Assisti eles na primeira vez que vieram para o Brasil em 95. Não era o clima para um show deles. Lugar aberto, luz do sol… mas eu emocionei de poder ver os caras no auge da criatividade.

https://www.youtube.com/watch?v=x8VX-A4Nxqg

Guy Picciotto – Fugazi / One Last Wish / Rites of Spring
Esse é um cara com quem eu aprendo sempre que escuto, e olha que isso é quase todo dia há uns bons e longos anos. Ele tem um lance de idoneidade e respeito com a música que eu admiro muito. Acho que na música que eu faço a influência dele aparece na percepção da música. De não lapidar demais quando ela não pede, e também em saber quando é oportuno ter melodia ou barulho. O Guy tem uma explosão e um dom pra colocar notas que às vezes você nem percebe, mas se elas não estivessem ali, o Fugazi, o One Last Wish ou mesmo o Rites of Spring não teriam a identidade que construíram.

https://www.youtube.com/watch?v=u374HYoZN0U

Adrian Utley – Portishead
O detalhe, a nota certa e o preciosismo do mínimo que fazem um estrago macro. É um guitarrista que me ensinou a dar mais atenção aos detalhes. É um cara que também tem bom conhecimento sobre efeitos e como usá-los. É basicamente o que eu admiro em alguns que eu já citei aqui, e o Adrian é um desses que não forçam a barra com notas ou efeitos. Ele deixa a música respirar. É pouco citado, bem lo-fi, mas é uma peça importantíssima no Portishead. Os ângulos mais inusitados, os ruídos experimentais surgem por via dele. É muito ligado ao minimalismo e à música de Rhys Chatham e Glenn Branca, já participou de orquestras e fez trilhas para filmes. Parte do que eu gosto de fazer é sombra do minimalismo que ele tem como característica.

https://www.youtube.com/watch?v=ZNWm1sN-Tms

Kurt Cobain – Nirvana
Esse foi um cara importante porque mudou todo o jeito de como a música era vista. Tudo bem que tem muito o lance do loud, quiet, loud do Pixies, mas o Kurt Cobain trouxe uma emoção diferente para a música. Era início dos 90 e eu tava pirado no death metal e não ouvia nada que não fosse extremo e, mesmo assim, quando passou “Smells Like Teen Spirit” na MTV, eu lembro de paralisar e não sair até que a música acabasse. A influência dele é mais no meu jeito de tocar e não de compor. É o lance de soltar o braço na guitarra mesmo. Eu estava no Hollywood Rock que eles tocaram. O show foi bizarro, mas mesmo assim ele foi e é um cara muito importante pra mim e pra música.

https://www.youtube.com/watch?v=4wTrGpncAxA