Mini Entrevista: Magoo Felix

Howlin' Records

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Mini Entrevista: Magoo Felix

Magoo Felix, baterista do Twinpine(s) e um dos responsáveis pelo Guitar Days, levou um papo com nós da Howlin’ sobre os shows do festival do documentário e todos os tentáculos desse acontecimento, que é um marco para o cenário independente atual. Na entrevista, ele revela detalhes sobre esses últimos dias e deixa escapar até mesmo quem vai produzir o próximo disco de sua banda.

Howlin’: Na posição de co-produtor do documentário “Guitar Days”, como você descreve a experiência dos últimos dias com o Guitar Days Fest invadindo o cenário independente em casas de show de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro?
Magoo: Cara, o fest do Guitar days tá sendo a realização de um sonho. Quando eu e o caio começamos a fazer o doc muitas questões apareciam quando o assunto eram shows de bandas independentes, de como isso rolava nos anos 90 e como rola agora. É incrivel como apesar das dificuldades técnicas e financeiras nos anos 90, os shows naquela época eram mais cheios, as pessoas saiam de casa para ver as bandas. Hoje isso acontece, com cada vez menos frequência, raras são as vezes que os amigos mais próximos das bandas vão para dar uma força.

A ideia do festival era tentar unir tanto esse publico antigo com a nova geração, e trazer pelo menos por esse pequeno período de tempo, essa energia que rolavam nos shows daquela época.

Eu acho que conseguimos um pouco disso, e reunir o Killing Chainsaw, que não tocava há 18 anos, foi parte desse sonho, pois os caras voltaram à ativa pra ajudar na divulgação do nosso doc, e isso foi um privilégio, estamos muito felizes com isso.

Howlin’: Vi o show aqui em SP e acredito que testemunhar Twinpine(s) com Zé Antonio tocando “It’s Your Turn” dos Pin Ups no Z Carniceria foi um dos momentos mais especiais da noite. Como esse momento se fez? Foi do nada ou teve um convite? E como foi pra vocês?
Magoo: Bom, o Pin Ups é uma influência óbvia pra todos nos do Twinpine(s), e coincidentemente (ou não, rs) “It’s your turn” foi a primeira música que o Twinpine(s) tocou nos primeiros ensaios em 2002, lá no quartinho da casa do Léo (Scriptore, vocalista e guitarrista).

O convite pra ele tocar com a gente surgiu porque o Pin Ups não pode tocar no evento devido ao fato que Alexandra Briganti, vocalista e baixista dos Pin Ups, viajou à trabalho bem na data. E o Zé queria muito participar desse show, foi aí que vi a oportunidade de realizar o sonho de tocar com ele, e o convidamos pra participar do show, desse modo acabamos tocando 4 musicas deles no final do show.
Ensaiamos algumas vezes e rolou super rápido o entrosamento, o Zé vai produzir o novo álbum do Twinpine(s) e esse foi um bom aquecimento pra iniciar os trabalhos com ele, pra mim, particularmente, foi uma honra inexplicável, já que sou muito fã deles desde os 90s. Na real, todo mundo da banda é, ficamos nas nuvens com esse show, com certeza uma marca permanente em nossas vidas.
Howlin’: O Guitar Days tem como objetivo registrar uma história importante de guitarras altas e vocais em inglês dos anos 90, mas quando penso nisso tudo, tenho a impressão que vocês estão realizando “sonhos que não sonharam” nesse processo. Existe um objetivo final? E você sente realmente que atingiram objetivos que não planejaram nesse processo todo?
Magoo:Cara, fazer esse doc tem sido uma montanha russa de sensações. O Caio, diretor do filme, na verdade veio me entrevistar pro doc e ao conversar com ele expus minha total paixão por esse cenário de indie rock noventista que se estende até o cenário atual.
Acabou sendo natural ele me convidar pelo fato de eu ser bem inserido nessa galera, desde aquela época e com a galera das bandas atuais, ele fica com a parte jornalística da coisa, faz as pesquisas, as entrevistas, filma e faz toda a parte profissional quando se fala em cinema. E eu sou grunge né? (risos)
Entrei pra correr atrás da galera das bandas, pra fazer os contatos, dar aquela informação vip do role indie, e claro, pra viver o sonho, porque pra mim esse doc está sendo um sonho, falar das bandas que eu amo, que eu passei a vida a beira do palco cantando aquele inglês embromation, e fazendo amigos.

Eis que no final de tudo, eu e o Caio estamos nos divertindo, viajamos pra uma porrada de cidade, falando de música, conhecendo gente bacana e registrando uma história que até então não havia sido registrada. E o Guitar Days se presta à fazer isso, contar a história não só daquelas bandas que entrevistamos, mas de um cenário de bandas alternativas que começou no Brasil no final da década de 80 e até hoje tem seus guerreiros, carregando amplificador nas costas, gastando o dinheiro do bolso para fazer o que mais ama, que é estar no palco fazendo seu som. Me sinto abençoado por fazer parte do Guitar days e poder contar um pouco dessa história.

Howlin’: Como você observa o rock independente hoje em dia em comparação ao que via nos primórdios do rolê de flanela?
Magoo:Cara, hoje é uma loucura, né? Tem as facilidades, tem a internet, hoje todos tem acesso aos instrumentos importados e todos podem ter melhores referências e até gravar nos seus computadores. Em contrapartida, vejo tanta banda boa por aí e tão pouca gente frequentando shows. Eu acho que a facilidade deixou a galera preguiçosa.

Como eu havia dito, antigamente pra conhecer um som você tinha que sair de casa, ir na pista de dança de um clube, perguntar o nome da música pro DJ, anotar e ir na galeria procurar pelo disco. Para ver uma banda que você gostava tinha que ir no show, comprar a fita demo, etc.

Hoje você abre o youtube e assiste um show que rolou há minutos atrás, pela tela do celular de alguém ou pelo Netflix.
As pessoas ficaram preguiçosas e embora a musicalidade esteja cada vez melhor, as bandas não tem público. Na minha opinião, esse é o grande diferencial entre a época de ouro do rock alternativo dos anos 90 e o atual. A demanda de bandas boas cresceu, mas o público ficou em casa, com o teclado do computador no colo, mas eu acredito que isso ta mudando. E junto com todo esse saudosismo dos anos 90 vem aquela atmosfera do faça você mesmo e do calor da flanela na platéia com a cerveja na mão.